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StartApps

Um blog de Teresa Noronha sobre Startups, Apps e empreendedorismo em português.

À Conversa com #4: Knok

A vida de quem trabalha numa startup para além de ser cool, começa cedo. Pequeno-almoço às 8:00h da manhã em Lisboa, no dia em a Knok foi recebida, assim como as restantes 66 Startups portuguesas que passaram o Road2websummit, pelo Sr. Presidente da Republica Marcelo Rebelo de Sousa em Belém. José Bastos acordou às 4:30h da manhã com a família no Porto e aterrou às 7:30h no aeroporto de Lisboa. Às 8:00h já estava à conversa comigo. Penso que foi bem recebido!


 


Knok_1.JPG


 Fotografia Hugo Noronha


 


Licenciado em Gestão pela Faculdade de Economia do Porto, fez carreira na Sonae e deixa a empresa para ser cofundador da Knok, a App que quer ser a Uber, um serviço de excelência ao alcance de todos para os cidadãos que necessitem de um médico.


 


 “Eu acho espetacular quando os meus amigos me dizem, eu é que gostava de ter uma Startup como tu e eu digo-lhes é muito fácil!”


 


Como é que surgiu a Knok?


Surgiu por causa dos filhos, o meu filho mais novo ficou doente com uma coisa que era uma virose no fim do dia, mas que me obrigou ir 3 vezes com ele a um hospital privado e foi muito mau, falei com 3 médicos diferentes, tive 3 diagnósticos diferentes, isto em 9 dias. E a certa altura, é aquela coisa de uma pessoa dizer: o que eu queria mesmo era poder escolher um médico, que ele viesse ter comigo e que eu não estivesse 3 horas à espera. Foi mesmo num daqueles picos de gripe. Andei à procura de uma App e não havia. Eu queria ser cliente dessa App. E não havia.


Depois comecei a falar com um dos meu cofundadores, o Pedro, a mulher dele é médica e tem 3 filhos, portanto conhecia bem a situação e começámos a falar da situação a rir. Isto era engraçado e não existe. De “não existe”, até “porque é que não existe”, “será que existe em algum país”, na altura ainda não tinha sido lançado em sitio nenhum mesmo, nem nos Estados Unidos em que agora já foi lançado, passou pouco tempo para começarmos a desenhar o modelo de negócio. E vimos que podia funcionar, começámos a afinar o modelo, aplicámos o método de lean canvas que se diz que quem tem um projeto para uma startup deve sempre fazer, e deve-se mesmo, e percebemos que as peças encaixavam todas e de repente… “e se fizéssemos?”.


Às tantas as questões eram: “- Será que vamos ter doentes? – Será que vamos ter médicos?”


A partir daí eu aproveitava todo o tempo que tinha com qualquer pessoa para perguntar se utilizaria a App e depois graças à rede de contactos da mulher do Pedro, e depois o nosso CFO a mulher dele também é médica, somos amigos há muitos anos e graças muito à rede de contactos dos médicos proporcionada pela mulher do Pedro e pela mulher do António, comecei a falar com muitos médicos e a questionar se eles teriam vontade de participar.


Através dessas conversas percebemos que havia doentes interessados em serem clientes e médicos interessados em dar consultas. Começámos a segurar mais o modelo de negócio, para um modelo mais fino, depois começámos a pensar se existia a possibilidade de fazer uma App que fizesse aquilo que nós queríamos, a seguir apareceu a nossa equipa de IT que nos demonstrou que tecnicamente era possível. Foi nessa altura que dissemos, vamos lançar-nos nisto a sério, vamos lá!


 


Em que momento é que se tem essa sensação: - É agora?


É engraçado que isto é um bocado como os balões, tem que aquecer primeiro, mas depois sobe por ele. É aquele momento em que começa a haver uma pressão de toda a gente, porque é que não fazes, porque é que não lançam? Porque é que não fazes, porque é que não se faz? Aí percebemos que a ideia já existe e que já não há como parar.


 


Quantos é que são?


Somos 9. Há 8 cofundadores, e há um médico que está connosco desde sempre e que tem tratamento equivalente de cofundador. Quatro de nós somos mais velhos, sou eu, o Pedro, o António, e a Carolina que vive em Londres e que é a nossa responsável de Marketing e depois quatro pessoas mais novas, que são a nossa equipa técnica dos quais dois deles são médicos, um deles é bioquímico doutorado em Química, e o outro Engenheiro. Para além desta equipa de cofundadores temos este médico que ajuda mesmo muito a gerir a equipa médica.


 


Quanto tempo demorou desde a ideia até à concretização?


Um ano desde a ideia até ao lançamento que ocorreu a 4 de dezembro de 2015. Está on-line quase há 1 ano. Da ideia até agora, foram praticamente 2 anos.


Quase toda a gente, tirando 2 de nós, trabalha em part-time. Funciona bem o formato entre nós. Todos comprometidos com a empresa, toda a gente dá o melhor que pode com um forte sentido de compromisso.


 


E durante este percurso, qual foi o momento em que consideraram de maior sucesso?


Uma resposta difícil pela própria definição de sucesso. No dia do lançamento, lançamos no Demo Day do Lisbon Challange do ano passado, por isso tínhamos uma sala cheia de pessoas e tínhamos muitos médicos on-line e as pessoas fizeram o download da App, foi giro e tivemos imenso feedback. Esse dia foi um dia espetacular, foi ver materializado o conceito.


O dia da 1ª consulta foi também um dia espetacular.


Algo que damos muito valor e que é para nós um indicador de sucesso é que todas as nossas consultas têm sido avaliadas com 5 estrelas o que é melhor do que as nossas próprias espectativas, muitos dos médicos que nos aparecem é por “word of mouth” ou seja, são outros médicos que lhes recomendam e para nós este também é um indicador de sucesso. Quando abrimos uma nova cidade é mais um sentimento de sucesso. Agora que estamos a fechar o nosso primeiro round de investimento, a nossa V.C. é inglesa. Ter uma entidade perfeitamente independente a acreditar na nossa solução é um indicador de sucesso e estarmos a crescer 15% à semana é para nós também outro indicador de sucesso.


 


Knok_2.JPG


  Fotografia Hugo Noronha


 


Qual foi o maior desafio?


Quando se é uma Startup tudo é um desafio, não é? Não temos recursos para nada.


Os maiores desafios são 2, manter o ritmo de crescimento com um consumo de recursos razoável e internacionalizarmo-nos. Para nós é um desígnio muito forte, o da internacionalização. Mas é difícil para uma startup portuguesa sermos levados a sério internacionalmente na área da saúde. A nossa V.C. é inglesa e pensamos que essa situação nos vai favorecer.


 


Qual é que está a ser o maior desafio para as Startups em Portugal?


A falta de recursos. Mas vou falar da minha experiência pessoal, de uma pessoa mais velha...


Uma Startup tem de ser sustentável. Aquelas estatísticas de 10% tem funding, só 1 % têm sucesso. A sensação é de empurrar a pedra pela montanha a cima. Não há recursos, temos de fazer tudo!


É exigente, é solitário, é duro. O maior sucesso ainda não foi. E quando esse sucesso se materializar, temos de estar focados e andar para a frente. Um sucesso é só o patamar para o passo seguinte, não é um objetivo em si!


Numa empresa há ciclos anuais, há avaliações, há planos de recompensas estruturados. Aqui só há caminho a percorrer!


Há duas coisas que distinguem uma startup:


O passado não interessa mesmo nada, porque o que passou já não conta, não há amarras e há a capacidade e a velocidade a que as coisas acontecem. A velocidade em que tudo acontece é brutal. Um ano numa startup equivale a sete numa empresa.


Há um sentimento de que a vida nos está a fugir debaixo dos pés. Por isso é que isto é um estilo de vida, um projeto de família,  é de corpo e alma. É uma parte da vida, não há separação entre o trabalho e a nossa vida pessoal.


É precisa toda a disponibilidade necessária em função do projeto.


Uma das pessoas da V.C. que está connosco um dia disse-me: “Zé, tu podes ser o maior acionista mas a tua mulher é o maior investidor.” E é mesmo verdade!


Se o meu filho mais velho tivesse de fazer um pitch sobre a knok ele fazia, mas fazia sem hesitação! Nós somos uma família, com 2 filhos e a knok.


Isto é uma opção de vida. Tem de ser um projeto de família, não é um projeto individual, é uma opção de vida, é um sentimento de que se está a empurrar um rochedo por uma montanha acima. Temos de ser muito resilientes.


 


E não há aqueles momentos em que pensa: Mas porque é que eu me meti nisto e não me deixei ficar?


Haver há, mas não adianta de nada!


A maior diferença para as startups de malta mais nova é que temos uma maturidade de mercado em que percebemos que temos de ser rápidos, mas tem de correr bem. O produto tem de ser bom! Temos de equilibrar a rapidez com a qualidade de execução.


Temos de saber lidar com um conjunto de agentes, que não são fáceis. Uma startup em Portugal é um desafio por si.


 


Como é que se pede investimento?


Com jeitinho! A nossa experiência foi a de sermos muito claros nas conversas que tivemos com os investidores, e tivemos muitas. Fechámos com os que escolhemos porque houve uma afinidade reciproca muito grande. Sempre fomos muito claros sobre quem somos e quem queremos ser, quanto dinheiro queremos e porque é que o queremos.


Porque o problema numa relação com investidores é que o 1º pitch é uma conversa de 5 minutos em que o investidor está a ver o e-mail enquanto nos ouve.


Ou somos muito concretos e diretos a dizer o que é que queremos ou não vai acontecer nada.


Aí fomos fundamentalistas: Nós queremos vender consultas, a um preço que esteja ao alcance da maioria, de cuidados primários, a doentes, com médicos bem pagos para melhorar a saúde primária nos mercados onde estivermos presentes. E para nós isto era claro e totalmente alinhado com o nosso modelo de negócio. Ou somos muito concretos e diretos ou não somos nada.


Uma coisa era muito clara para nós: queremos ser um produto para as massas e não uma opção para as classes elevadas. Queremos contribuir positivamente para a sociedade.


 


É importante ter passado como empresa Portuguesa na Road2websummit?


Estar no Web Summit é bom, é porreiro, queremos começar a tratar do próximo funding round e o nosso objetivo é falar com eventuais parceiros e investidores de impact investment, do setor da saúde e idealmente com setor segurador. E queremos falar com eles. O networking que queremos fazer é este e dar a conhecer a knok, claro. As seguradoras são um setor de ligação evidente com o nosso negócio.


 


Em Portugal está a haver um momento de viragem?


Sim claramente. Mas faltam duas coisas:


- uma startup com um exit brilhante para termos track-record  de casos de sucesso. Acredito que esse momento está mesmo para acontecer em Portugal, existem Startups com projetos incríveis, várias, que com toda a certeza vão dar e fazer sucesso.


- E falta também um caso de sucesso com um exit massivo do lado dos investidores portugueses, para ganharem mais confiança.


 


Quais são as Apps de Referência da Knok?


A Uber, gosto da App, do serviço e das pessoas. Gosto das Apps simples que transmitem uma boa user experience. A nossa App é fácil, e perfeita para o que necessita de oferecer e esta era uma grande preocupação.


Ryanair, o flow de utilização é super simples, fácil, funciona muito bem.


Gosto muito da Handy, que tem um UX muito bom e um processo de onboarding dos fornecedores brilhante.


 


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 Fotografia Hugo Noronha


 

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