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StartApps

Um blog de Teresa Noronha sobre Startups, Apps e empreendedorismo em português.

À conversa com #6: Nuno Machado Lopes sobre o Lisbon Challenge (2ª Parte)

As dúvidas sociais sobre o modelo de empreendedorismo que se está a criar, são para todos. Já as oportunidades que estão a ser dadas, não. A percepção do foco e a dimensão de um problema, com futuro. A Geração Startup também tem fillhos e questiona-se como criar a alteração sustentável nesta nova equação.

 

 

161124_appsparaquetequero_c_lais_pereira (23).jpgFotografia Lais Pereira

 

 

E socialmente o que é que significa para o Nuno? Na altura da escolha da candidatura, estão a escolher um negócio, ou estão também preocupados se aquele projeto é bom para a sociedade no caso de vingar?

O que nós estamos sempre a analisar são negócios, por isso o que nós analisamos mais são as pessoas, uma má ideia bem executada tem uma maior probabilidade de sucesso do que uma excelente ideia mal executada. Isso é o que acontece muitas vezes. Até são boas ideias, mas são mal executadas. As pessoas ou não deviam ser empreendedoras ou então não têm capacidade, não têm disponibilidade, seja o que for. Depois há a sorte, há timings… se entramos muito cedo, corremos o risco de passarmos completamente ao lado e estamos no início a educar o mercado e depois alguém entra e cria uma empresa em cima disso. Outras vezes entramos tarde demais e já passou. Por isso a execução é fundamental.

Acima de tudo nós olhamos principalmente para as pessoas e depois tentamos compreender a ideia e hoje em dia há uma pressão enorme para encontrar ideias novas, oportunidades, problemas, quando na realidade no nosso dia-a-dia o que não faltam são oportunidades e problemas que existem e precisam ser resolvidos. Não estamos a reinventar nada, mas também não é preciso.

É preciso olhar para uma oportunidade suficientemente grande ou para um mercado que seja suficientemente grande para depois a avançar.

Para quem me conhece sabe que eu estou sempre a falar nisto das PMEs. Como é que nós conseguimos aplicar? E o que nós estamos a tentar perceber é: “Como é que nós conseguimos ir buscar o melhor destes programas de aceleração e aplica-los às PMEs?” Para todos os efeitos estamos a falar de fundadores que sobreviveram os últimos 6 anos de crise, por isso não há maior validação de pessoas determinadas, estas pessoas já passaram por tudo e continuam juntas. Por isso é seguro dizer que aquelas pessoas andando para a frente com um bocadinho mais de sucesso vão ser as pessoas certas. Os produtos também já estão no mercado e muitas vezes conseguimos acelerá-los, melhora-los e por isso penso que há uma ajuda que podemos dar.

 

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Fotografia Lais Pereira

 

 

Uma startup por definição é uma empresa no seu início, mas não é uma ideia de um grupo de amigos que só vai vingar se houver um investidor. Vai chegar a um ponto em que as empresas já têm corpo para operar. Silicon Valley adotou isso para os investidores. São empresas na área de tecnologia que estão prontas para expandir exponencialmente. Por isso é mais do interesse dos investidores e para os poucos que conseguem vingar e jogar até chegar a um ponto de as empresas serem avaliadas em milhões ou até em biliões.

No entanto há muita confusão e isso é problemático para nós, porque na nossa economia só falamos sobre startups. Eu sou um empreendedor e tenho negócios na restauração, sinto-me um bocadinho indiferente a isso, mas sinto que para alguém que esteja puramente na restauração deve estar a pensar “mas o que é que se passa aqui? Nós damos emprego, nós pagamos impostos, e ninguém fala de nós, estamos a ser ignorados.”

 

 

Mas nas empresas de Tecnologia também, porque vêem as Startups com uma projeção que as empresas que existem há mais anos nunca tiveram, nem têm.

O empreendedorismo passou a ser Startups.

As PMEs são 96% das empresas em Portugal por isso, penso que estamos a perder uma oportunidade de integrar e de aprender, de contaminar o verdadeiro empreendedorismo todo, quando narealidade as Startups têm uma percentagem muito, muito pequena (1 a 2%).

 

 

E existe uma preocupação com tudo o que está a ser enviado para o mercado como solução? Este é um tema que realmente me interessa.

Eu estive na Alemanha a fazer uma apresentação numa das melhores empresas de automóveis, estavam lá investidores, venture capitalists, todos a fazerem apresentações e a mim pediram-me para ir porque viram uma apresentação minha em que falo sobre o desafio do desemprego nos jovens, no facto de a tecnologia destruir emprego, não cria emprego contrariamente ao que ouvimos dizer. Que estamos há algum tempo com este problema enorme que é o hedge gap, menos de 1% do total são pessoas que têm demasiado dinheiro e demasiada importância.

Eu fiz a apresentação e fiquei um bocadinho preocupado, porque enquanto nas outras apresentações eram colocadas questões e havia muita interação, até porque era uma apresentação em workgroup, durante  a minha apresentação ficaram calados e depois no fim ninguém colocou nenhuma pergunta e eu pensei, “bem isto foi completamente ao lado”. Ficámos lá e tínhamos um jantar e um a um, cada uma das pessoas do grupo veio falar comigo quase que em privado a dizer que nunca tinham ouvido uma apresentação deste tipo e tinham ficado tocados. Na realidade muitos partilham isso e como pais, e como pai de 3 filhas isso também me preocupa.

Sim, acho que devíamos estar à procura de meaning, mas na verdade não o fazemos porque há uma pressão enorme para um retorno e nunca ninguém foi falar com um investidor dizendo-lhe que a ideia podia não fazer dinheiro, mas que teria um grande valor social.

Isso não quer dizer que num futuro muito próximo não comecem a surgir com projetos, no entanto  não podemos ser naives, não podemos criar um projeto só de natureza social, nós temos de levar a sociedade a criar projetos que façam sentido, em que as pessoas ganhem dinheiro (porque é preciso) mas também não demasiado dinheiro. Quando falamos com um capital investidor nós perguntamos: “Quando é que é too much?” 1 Bilião? Porque é que eu tenho de ser bilionário? Não faz sentido absolutamente nenhum e muito menos estar a promover isso.

A verdade é que nós tentamos incutir nos founders que eles sejam boas pessoas e bons profissionais e por isso explicar-lhes, fazer esta conversa que é diferente, que é disruptiva tem um custo associado.

Não devemos celebrar o fracasso. Uma coisa é aprendermos, e não se aprende só com o fracasso. Mas esta tendência agora, de conferencias de failures, em que as pessoas vão lá e falam que falharam completamente e que perderam … estando a minimizar completamente o impacto que isso teve. Quantos fornecedores é que deixaram de receber? Quantas pessoas foram para a rua? Quantas ficaram com a vida destruída? Por isso acho que devemos promover uma conversa um bocadinho mais saudável e isso já está a acontecer. Já existem muitas pessoas a dizer “não”, que basta e nós temos que caminhar para isso, temos de caminhar para uma coisa mais construída, mais responsável porque é o que vai ter sucesso no futuro.

 

 

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 Fotografia Lais Pereira

 

 

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