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StartApps

Um blog de Teresa Noronha sobre Startups, Apps e empreendedorismo em português.

Reciclar manuais escolares

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Se não sabe o que fazer aos manuais escolares que os seus filhos deixaram de usar, ou se gostaria de gastar menos na aquisição dos próximos, a Book in Loop é uma boa opção.

 

Este movimento começa pela integração dos pais na comunidade book in loop e continua com a recolha dos livros em casa. Quando esses livros são adquiridos por novos donos, a família que os entregou recebe uma recompensa financeira.

 

Os livros têm de estar em bom estado e não podem estar escritos com marcas de caneta.

 

Este movimento para além da poupança financeira que origina a quem entrega e a quem recebe os livros, é também uma boa solução de reciclagem e de resolução de problemas de armazenamento e o espaço numa casa é sempre limitado. Mesmo que existam irmãos mais novos a probabilidade de os manuais escolares serem os mesmos ser muito reduzida.

 

O movimento book in loop deste ano letivo teve inicio a 15 de Junho, caso tenham manuais dos quais se queiram desfazer ou se encontrem à procura de opções mais rentáveis para o próximo ano que aí vem, fica a dica!

 

Vejam como funciona aqui:

 

 

Aplicação disponível em WebApp, iOS e Android.

À Conversa com #11: Marta Silva da Fábrica de Startups

Saiu na altura da crise e emigrou para Macau. Ganhou mundo e perspectiva. Felizmente, como muitos dos bons profissionais deste país está de volta, para fazer acontecer. Acompanhou o que se passava em Portugal e envolveu-se no ecossistema mesmo em Macau, e nota as diferenças do que aconteu por cá. Marta Silva é a Marketing Director da Fábrica de Startups. Estivemos à conversa na Feira do Livro de Lisboa.

 

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 Marta, o que é a Fábrica de Startups?

A Fábrica é uma aceleradora de startups, mas também mais do que isso, pois apoiamos diferentes fases de desenvolvimento das empresas. Fomentamos o empreendedorismo e a criação de mais e melhores startups em Portugal, sempre com uma vertente internacional. Os nossos programas de ideação, aceleração e crescimento são cruciais para ajudar empreendedores.

 

Como?

Com os programas de ideação, ajudamos empreendedores a desenvolver e validar a ideia de negócio, assim como a encontrar uma equipa de trabalho. Temos tido ótimos resultados com estes programas, que fazem a ligação entre os desafios estratégicos de determinados sectores e as ideias de negócio. Na fase de aceleração, os programas FastStart ajudam as startups no seu modelo de negócio, desenvolvendo uma oferta mais forte (contamos com uma rede de parceiros e mentores neste processo). No limite, ajudamos os empreendedores a preparar a startup para receber o investimento. Depois vem o momento do crescimento, a confirmação do modelo de negócio que resultou da fase de aceleração. Asseguramos um follow up em vendas, marketing e processos, personalizado pelos nossos orientadores, encontrando juntos um programa de apoio ao crescimento.

 

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Como chegaste à Fábrica de Startups?

A minha relação com a Fábrica de Startups é antiga. Em 2012, quando o empreendedorismo ainda não era moda e se começaram a sentir as consequências da crise em Portugal, dei o salto do marketing para projetos de empreendedorismo e metodologias revolucionárias de lean startup. Nessa altura, ajudei a organizar o primeiro grande concurso de empreendedorismo em Portugal – o Energia de Portugal (evoluiu para o atual EDP Open Innovation). É com muito orgulho que digo que ajudei a criar os alicerces do projeto Fábrica de Startups. Pouco tempo depois, porém, tive uma oportunidade aliciante e emigrei para Macau. Fiquei lá cinco anos, mas o destino trouxe-me de volta à Fábrica de Startups.

 

Como é que isso aconteceu?

O António Lucena de Faria e o Martim Avillez Figueiredo, que estão à frente da Fábrica, contactaram-me em Outubro do ano passado e desafiaram-me para ajudar a organizar o Startup Macau Forum, um projeto pioneiro nessa geografia. Pela primeira vez na região, 15 startups - cinco da China Continental, cinco de Macau e cinco de Portugal - iam concorrer para serem as melhores ideias de negócio. Mas mais que isso, estávamos nessa altura a dar os primeiros passos para a construção de um ecossistema e de uma comunidade empreendedora internacional. Correu tudo muito bem e acabei convidada a voltar à empresa. Com muito entusiasmo, agarrei novamente o projeto da Fábrica de Startups. Foi como um regresso a casa. Literalmente.

 

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Que diferenças notas no mercado nacional?

Evoluiu muito. O trabalho de evangelizar o mercado para os conceitos de empreendedorismo, startup, validação de modelos de negócios, inovação ou lean startup já foi feito. Vejo muito mais abertura por parte das empresas para discutirem connosco novas formas de trabalhar e de validar as suas decisões de investimento. Mas ainda há muito trabalho pela frente. E como em tudo, este “excesso de oferta” obriga os principais players a aguçar o engenho, a diversificar a oferta e a verdadeiramente acrescentar valor naquilo que fazem. É com esse objetivo que estou na empresa. Para continuar o excelente trabalho desenvolvido pela equipa da Fábrica, encontrar formas de aplicar as nossas metodologias ao nível corporativo e encontrar novos mercados, trabalhando a internacionalização.

 

O que está a fazer os emigrantes de 2012 voltarem a Portugal?

A “debandada” que vimos em 2012 teve muito a ver com falta de oportunidades em Portugal. Sempre houve emigração e hoje entendo muito melhor o fascínio destas experiências internacionais. Mas Portugal é um sítio extraordinário. Havendo oportunidades de trabalho, boas condições para desenvolver projetos ou abrir novas empresas, é difícil resistir ao apelo do regresso a casa. A carga fiscal pode ser desencorajadora, mas o impulso que o turismo tem dado ao país serve como impulsionador da economia. Não tenho uma resposta concreta que explique o regresso dos emigrantes, mas acredito que esteja relacionado com a onda de otimismo que sinto entre os portugueses.

 

Como é que as startups podem aproveitar esse momento?

Os empreendedores são estimulados pela oportunidade. Neste momento, é no turismo e serviços que as oportunidades mais aparecem. Tem que se pensar em novas formas de atrair turistas, vingar pela qualidade do serviço, refletir sobre o que se pode fazer no turismo de experiência, de inclusão, sénior, de saúde. O leque é muito vasto, principalmente quando saímos de Lisboa e Porto. A Fábrica está a desempenhar um papel fundamental, ajudando os empreendedores a desenvolver as suas startups na área do turismo. A nossa parceria com o Turismo de Portugal já tem mais de três anos e em 2017 o desafio é maior do que nunca. Estamos a organizar o Tourism Explorers, o maior programa nacional de ideação e aceleração de startups na área do turismo. Envolvemos 12 cidades, que estão simultaneamente a fazer os programas connosco através de uma infraestrura tecnológica.

 

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Podes dar mais detalhes?

Ao longo de cinco dias, de 10 a 14 de Julho, vamos trabalhar os desafios estratégicos do setor, fazendo a ligação aos incentivos ao investimento por parte do turismo de Portugal. Os empreendedores das 12 cidades vão juntar-se em equipa e dar os primeiros passos para o que poderá ser uma startup de sucesso. A final nacional é na Porto Business School, com os vencedores de cada uma das cidades. Em setembro, arrancamos com a fase de aceleração, com oito bootcamps semanais, ao longo de oito semanas. As startups, já mais evoluídas, vão validar e desenvolver o seu modelo de negócio. Acabamos o programa a 23 de outubro na Startup Braga, mesmo a tempo para seguir dali para o WebSummit. Resumindo: como podem as startups aproveitar este momento? Desenvolvendo os modelos de negócio e validando todos os seus componentes, para fazerem a diferença no setor turístico em Portugal. E por que não fazê-lo connosco?

 

De regresso a Portugal, o que trazes na bagagem para ajudar a economia do teu país?

Cheguei há três meses da China. Ainda olho para Portugal com algo novo, vejo uma evolução extraordinária. Os números da faturação no turismo não param de crescer, são impressionantes. Acredito que a verdadeira experiência portuguesa é feita com negócios genuínos, mas de qualidade. Vim de Macau, um território que depende essencialmente do jogo e que ainda não conseguiu diversificar a sua oferta turística. A minha experiência na China ensinou-me a relativizar as coisas, a olhar para os desafios com outra perspetiva. É isso que tento fazer nos projetos onde estou envolvida.  E porque um dos nossos objetivos é a internacionalização, uso os conhecimentos adquiridos para testar e validar modelos de negócio cujo alvo são os mercados chineses. Espero que seja assim, fazendo uma ponte para o mercado chinês, que na minha ínfima dimensão ajudo a economia do país.

 

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Quais são as tuas Apps e Startups de referência?

Adoro testar novas aplicações, apesar de reter poucas no telemóvel. Uma que me acompanha neste regresso a casa é o Waze. Para alguém tão desnorteada como eu é uma grande ajuda. Estou fã, além de que gosto sempre destes casos de sucesso. Outra que uso sempre em férias é o Storyo. Gosto da forma como organiza as fotos e faz pequenos resumos com vídeo e animação. Foi com surpresa que descobri que eram portugueses, quando eu já era cliente. Mas o conceito de shared economy é aquele que provavelmente mais revolucionou as nossas vidas e é impossível não referir Uber, Cabify e Airbnb, porque mudaram os nossos hábitos.

 

Marta que tudo corra bem!

Fotografia Lais Pereira

Tripaya: A partir de um Orçamento escolha a sua viagem

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A Tripaya é uma Startup Portuguesa dedicada ao planeamento de viagens, que é inovadora na forma como permite ver as opções possíveis a partir de um orçamento que é introduzido na aplicação. 

 

O modo de utilização é muito simples e apresenta destinos interessantes e bastante diversificados e de acordo com o tipo de viagem que quer fazer: Romance, Praia, Cultura, Família, Vida noturna, entre outros. A aplicação devolve um conjunto de soluções de viagens que são apresentadas como possibilidade, onde já se encontram contabilizados os voos e estadia no local.

 

Se estão a planear as próximas férias, experimentem esta solução.

 

A Tripaya é uma das soluções do Hotel Up. Venceu ontem o prémio inovação NOS na categoria Startups. Com ou sem prémio, é mais uma grande solução portuguesa.

 

À Conversa com #10: Ana Ventura da TeamOutloud

Com presença na consultoria nos últimos 15 anos, tornou-se empreendedora depois de desafiada pelo co-fundador da TeamOutloud  o Pedro. Considera que as mulheres fazem aquilo que querem e lhes interessa fazer de acordo com os seus gostos. Que o género também tem vantagens dentro do mundo da tecnologia e de Startups. É uma mulher que não se apresenta com fragilidades e que considera que todo o seu percurso veio desembocar no que é: uma empreendedora. Com a garra de quem tem uma vida ativa, considera que o mundo das Startups está a influenciar a vida no mundo. Ana Ventura é co-fundadora da TeamOuloud

 

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Ana, quando é que surgiu o empreendedorismo e as Sartups na tua vida?
Surgiu por desafio, quando o Pedro, co-fundador da TeamOutloud me introduziu no meio e começamos a pensar em soluções para apresentar ao mercado. A TeamOutloud é o nosso terceiro projeto e assim que entrei no mundo do empreendedorismo percebi que toda a minha carreira profissional e formativa vinha confluir a esta função. Foi como chegar a casa e perceber, é aqui!
 
 
Porquê uma solução de Hotelaria?
A TeamOutloud surge porque o Diretor de Recursos Humanos de uma cadeia de Hotéis nos desafiou a criar uma App que criasse uma comunidade entre os colaboradores do Hotel e funcionasse como rede social de partilhas, para promover a motivação destes recursos, cuja função depende muito da sazonalidade ao longo do tempo. Quando nos apercebemos que este tema não era especifico daquela cadeia, mas transversal a toda a realidade Hoteleira, decidimos apostar e no Web Summit de 2015 em Dublin testamos a nossa ideia, apresentando a mesma e recebendo o feedback por parte das pessoas que nos abordavam no stand e aí percebemos que havia potencial e começamos todo o processo, também com apoio nas nossas experiências de projetos realizados.
 
 
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O tratamento do empreendedorismo no feminino é tratado com diferença ou com naturalidade no dia a dia?
Hoje em dia fala-se muito neste tema, mas por exemplo quando eu entrei na consultoria, há mais de 15 anos, num grupo de 35 que entramos eramos três mulheres. Porquê?! Porque as outras mulheres não queriam fazer consultoria, queriam fazer outra coisa qualquer. Se não estão na política, se não estão mais noutras áreas, é porque valorizam outras coisas e muito bem. Eu acho que as mulheres fazer aquilo que querem fazer, que têm formação para fazer e que gostam. E também acho que no sentido de sobressair numa multidão, quer nas Startups quer na consultoria ser mulher é uma vantagem, porque automaticamente os olhos se viram para quem foge ao padrão.
Relativamente a diferenças nas Startups, até julgo que sinto mais diferença na idade. Embora existam algumas exceções a realidade do empreendedorismo é numa faixa etária muito jovem e sente-se mais que as coisas estão feitas para essa faixa etária que se vai encontrar.
 
 

Como é que define o seu percurso profissional?

Considero que foi um bom percurso, que foi por um lado natural e por outro que se complementa. Os passos que segui considero que foram os naturais face ao meu conhecimento e as circunstâncias do mercado. Estou onde gostaria de estar... precisamos escalar mais a nossa solução e gostaria de criar novos projetos. Ainda há muita coisa que gostaria de fazer. Ideias não nos faltam e sei que é por aqui.
 
A junção da TeamOutloud com outras Startups para uma solução de Hotelaria como é que surgiu?
Um dia houve esta ideia de juntar as várias startups de Hotelaria e apresentar as mesmas como um todo, para podermos num mesmo encontro apresentar as nossas várias soluções que são complementares. Assim surgiu a Hotel Up. É uma boa forma de unir esforços e multiplicar contactos. O consórcio tem como objetivo partilha de boas práticas em Hotelaria.
 
 

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Quais são as suas Startups e Apps de Referência?
Não sendo muito original as minhas referências são a Airbnb e a Uber. Porquê?! Porque as utilizo com frequência, porque mudaram a minha vida e porque tiveram o poder de colocar em causa os modelos de negócio instalados. Eu adoro utilizar ambas as soluções e acho que são inspiradoras para que muitas pessoas possam criar novas soluções que coloquem em causa os modelos atuais.
 
 

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Fotografia Lais Pereira

TeamOutloud: A Rede Social para quem trabalha em Hoteis

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Uma rede social para quem trabalha dentro de um Hotel. Permite a troca de elogios, partilha de momentos, fotografias e avaliação de forma integrada com as redes sociais.

 

Esta é a App que está a ajudar os Diretores de Recursos Humanos dos Hoteis a motivar as suas equipas, utilizando as novas tecnologias e os hábitos de utilização das redes sociais.

 

Conheçam a App da TeamOutloud neste video.

 

 

Moda em cortiça: Grow From Nature

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Um projeto bonito que conheci em 2016 e que é inspirado pela tradição. Sou cliente da loja fisica da Ericeira da Grow from Nature, considero que os seus produtos feitos em cortiça para além de serem sustentáveis são efetivamente bonito e confortáveis.

 

A Grow From Nature tem também uma loja online onde se podem adquirir os produtos. Não só em Portugal.

Na sua lista de artigos contam malas, chapéus de chuva, carteiras, sapatos, bijuteria e bonés para homem.

 

Eu tenho para mim que esta mochila mais dia menos dia ainda vem morar cá para casa. Vejam bem se não é mesmo bonita e com um design apurado?

 

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Bons projetos em Portugal? Estou sempre a encontrar!

 

 

 

O direito a desligar

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O ano de 2017 com França a ser o primeiro país a ganhar o direito a desligar.

Um ano de desafios, também na conetividade.

 

Os meus desejos para 2017 no campo tecnológico:

  • Que se procure mais significado no que se está a colocar no mercado;
  • Que a temática laboral seja de facto revista à luz da realidade atual;
  • Que as Startups e investidores encontrem formas justas de se entender.

E é isto.

Bom Ano!

 

 

À Conversa com #8: Carlos Gonçalves do Avila Spaces

O Avila Spaces é um espaço pioneiro de coworking em Portugal. 

Para as Startups, chega um momento que o espaço próprio, seja a garagem do pai, ou o escritório lá de casa, deixam de ser os locais indicados porque é necessário estabelecer relações, criar vínculos e muitas vezes partilhar, mesmo que sejam apenas desabafos.

É neste contexto que conversei com o Carlos Gonçalves, pessoa que trabalha neste campo onde tem desenvolvido o seu trabalho, editou um livro sobre o tema e se mantém atualizado em conceitos. O Avila Spaces consegue refletir esse conhecimento e gosto de quem sabe o que faz.

 

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 Fotografia Lais Pereira

 

O Avila Spaces foi criado a pensar em que target?

O espaço aqui foi criado a pensar em todas aquelas empresas ou profissionais que necessitam de um modelo de trabalho alternativo ao escritório tradicional. O Coworking na altura ainda não estava cá, era um conceito, nós fomos pioneiros no desenvolvimento desta oferta em Portugal.

 

Há quantos anos?

Nós tivemos um primeiro projeto em 2008, um projeto piloto e depois abrimos o nosso espaço de coworking em 2012 com base nesse projeto piloto que durou cerca de um ano e com base também em algum benchmarking e algumas práticas internacionais que nós adotamos. Fomos também influenciados pela procura que se fazia sentir já nessa altura. E portanto este espaço é um espaço aberto a todas as empresas e profissionais que desejem trabalhar num modelo mais flexível, no centro de Lisboa, com boas acessibilidades, que valorizem o conforto das instalações e a imagem. O nosso coworking é muito orientado para as empresas, portanto eu diria que é um coworking corporativo.

 

Em que situações e que entidades é que procuram o espaço de coworking?

São essencialmente empresas, pequenas estruturas empresariais, temos poucos freelancers, temos mais empresas. Diria que 80% são empresas, 20% são freelancers e portanto é um espaço que dadas as suas características, a questão da imagem, da modernidade, do facto de ter tecnologia de última geração, salas de reunião equipadas e de ter um apoio de secretariado, que é algo que nos diferencia um pouco também de outro tipo de espaços de coworking e estarmos no centro de Lisboa, faz com que grande parte da procura seja de empresas.

 

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Fotografia Lais Pereira

 

Quais as razões e alterações ao nível da dinâmica empresarial que ocorreram que quanto ao Carlos justifica a alteração da presença das empresas no mercado?

Eu penso que existem essencialmente 3 razões:

  1. A crise;
  1. Na sequência da crise as empresas sentirem a necessidade de racionalizarem custos e concentrarem o seu investimento no seu core business e menos no imobiliário;
  2. Por outro lado, existe um fenómeno muito interessante que é o facto de as novas gerações, nomeadamente os millennials que nasceram em meados dos anos 80 e a geração Z que é a que está a entrar no mercado de trabalho, sentirem-se muito bem neste tipo de espaços e são gerações para quem o modelo de trabalho é flexível, são gerações que cresceram com a tecnologia e que lhes permite trabalhar a partir de qualquer lugar, onde se sentem bem.

Cá em Portugal as empresas estão a começar a perceber este fenómeno, esta realidade. Neste momento já não é só uma questão financeira, porque podiam perfeitamente arrendar ou comprar um espaço, mas perceberam que, era interessante ter os colaboradores a trabalhar num espaço de coworking, porque se sentem bem. São gerações que gostam de colaborar, gostam de partilhar e acima de tudo gostam de trabalhar num sítio onde se sentem bem.

 

Uma empresa que está a iniciar atividade, quais são as vantagens que tem?

O facto de estar aberto 24 horas, as empresas de um dia para o outro podem começar a trabalhar. O nosso cliente quando nos procura pretende também ter o apoio do secretariado, de backoffice, por isso é que nós incluímos o serviço de escritório virtual nos nossos pacotes.

 

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 Fotografia Lais Pereira

 

O que é um serviço de escritório virtual?

É um serviço de secretariado à distância que permite as empresas, neste caso os coworkers, estarem focados no seu trabalho mas têm o apoio do secretariado que recebe a correspondência, recebe as chamadas telefónicas, que atende o telefone em nome das empresas, que reencaminha as chamadas para o exterior, se o cowoker estiver no exterior. Muitos dos nossos clientes não querem ser incomodados querem estar focados no seu negócio e existe uma notificação cada vez que chega uma chamada telefónica, o cliente acede através uma aplicação que nós desenvolvemos, o MyOffice. Esta App foi desenvolvida numa parceria com duas empresas portuguesas e que permite que os nossos clientes tenham acesso a toda essa informação.

As 24 horas, é importante também na situação internacional, devido aos fusos horários e daí também a aposta na tecnologia que é importante neste tipo de espaços, nós além de termos um atendimento das 8 da manhã às 19:00h nós temos um serviço de voice mail to e-mail, por isso depois do horário, mesmo que a telefonista não atenda o telefone podem deixar mensagem e recebem por e-mail a mensagem de voz mesmo que seja às duas da manhã.

O espaço está aberto 24 horas para clientes.

 

Qual é o futuro dos espaços de escritório?

O futuro eu julgo que será a combinação entre vários modelos. Eu escrevi um livro. O livro dá a nossa visão sobre o que pensamos ser o escritório do futuro, que seria uma combinação entre vários modelos de trabalho. O coworking, os escritórios virtuais, e o teletrabalho. Sendo que os escritório físico existirá sempre, aquelas empresas que pela sua atividade profissional, ou pelo número de colaboradores irá precisar sempre de ter o seu espaço físico. Mas eu acho, que pela evolução tecnológica e também pela forma como as novas gerações vêm o espaço de trabalho, esta flexibilidade e esta opção de podermos trabalhar a partir do sítio que nos der mais jeito ou no sítio em que nos sentimos melhor, mais focados naquele momento eu acho que será um pouco o futuro dos espaços de trabalho. Antes tínhamos o escritório que era algo que era standard, que era um espaço de trabalho entre quatro paredes, agora temos estas várias opções, e o coworking faz parte destas opções.

 

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Fotografia Lais Pereira 

 

O Coworking no empreendedorismo também ajuda na jornada solitária, mesmo que os negócios sejam diferentes ter alguém com quem falar, num inicio de atividade de um novo negócio é importante.

Sem dúvida, acaba por haver uma mentoria mais ou menos informal. Essa é de facto uma das grandes vantagens, é o espirito de colaboração, o espírito de interajuda que se cria no espaço de co-working. Tem de haver uma dinamização desse próprio espirito, eu acabo por fazer essa mentoria informal de comunity manager deste espaço não só através da promoção dos eventos que fazemos em participação com os nossos clientes, como apresentando e tentando fazer um matching entre co-workers, e entre clientes que têm escritório físico que estejam a necessitar de um apoio jurídico, ou de uma acessória de imprensa, poderá encontrar isso aqui no espaço de coworking e portanto essa é uma grande mais-valia. Há um exemplo muito interessante, do facebook que se encontra na versão inglesa do meu livro que foi editada no ano passado, com outros casos de estudo. O livro é um conjunto de estórias de pessoas que decidiram adotar novos modelos de trabalho e entretanto, no espaço de dois anos surgiram outras estórias que eu achei interessante e coloquei neste, uma das estórias é precisamente esta do facebook que antes de abrir as suas instalações em Boston, eles decidiram pela facilidade de começarem em 24 horas, decidiram colocar os colaboradores em espaços de coworking num espaço que se chama work bar, em que eles tinham os colaboradores a trabalhar a partir de dois centros, julgo eu em boston, pela questão da facilidade, porque o facebook em questão é uma empresa que necessita de conhecer a realidade, necessita de conhecer os negócios, o comportamento do consumidor e os espaços de co-working são ideais para esse tipo de trabalho, mas mesmo depois da abertura da sede, em Boston eles mantiveram o contacto com as comunidades. E portanto eles perceberam que aqueles espaços não eram só espaços de trabalho, mas centros de networking onde os seus colaboradores, poderiam manter o contacto com as realidades empresariais onde poderiam estabelecer parcerias e sinergias com outras empresas, e isso é muito habitual em empresas tecnológicas, como a Google, o Facebook, a Cisco e outras. A Telefónica faz isso através de um espaço de coworking que tem a incubadora a Wayra, por isso as empresas estão a perceber que os espaços de coworking são espaços muito interessantes.

 

Quais foram os princípios que orientaram o Ávila Spaces?

Nós aqui somos um espaço mais orientado para empresas que estão mais fora das indústrias criativas, mais empresas de serviços que procuram um espaço confortável, tranquilo, com vários tipos de ambiente. Desde o local de trabalho, passando pelas phone boots até ao lounge, que é como nós vemos o futuro dos espaços de trabalho. Vários ambientes, dentro de um ambiente.

Nós temos visto estudos que chegam à conclusão que existe uma grande percentagem de pessoas que estão na força de trabalho que são pessoas introvertidas. E como tal não se sentem confortáveis a trabalhar a tempo inteiro num open space, portanto nos anos noventa houve aquela febre de se criarem open spaces, das empresas deitarem as paredes abaixo e toda a gente trabalhar em open space, as pessoas foram forçadas a partilhar o espaço de trabalho os espaços de co-working normalmente são espaços que trabalham só em open-space e eu acho que é importante que os  espaços terem também ambientes para responderem às necessidades dessas pessoas que têm umperfil menos expansivo e que não se sentem tão bem a trabalhar num espaço aberto, porque isso influencia a capacidade de concentração e a produtividade dessas pessoas, e daí que haja necessidade de haver áreas reservadas. As quite-rooms, as cabines telefónicas, para duas ou 3 horas. Porque a realidade é que nós temos aqui no espaço pessoas que não querem colaborar, que procuram um espaço de co-working porque é um espaço confortável, onde conseguem ter acesso a um conjunto de facilidades como o café, a copa, um acesso 24 horas mas que não têm um espirito muito colaborativo. Nós temos de respeitar também essas pessoas.

 

Qual é a App de Referência do Avila Spaces?

A que permite a relação com os nossos clientes, a My Office.

 

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 Fotografia Avila Spaces

 

À Conversa com #6: Nuno Machado Lopes sobre o Lisbon Challenge (3ª Parte)

O Lisbon Challenge. Qual o momento certo para uma candidatura. O que se pode esperar do programa. O Demo Day. Algumas Apps da edição que se encontram a decorrer. Algumas boas notícias sobre o que já alcançaram. A mim cabe-me o mais fácil, desejar sucesso, às Startups e ao programa. Até Já!

 

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 Fotografia Lais Pereira

 

Como é que mantêm a comunidade de Startups que participaram nas edições anteriores?

Temos um Aluminae, temos pessoas encarregues de manter a comunidade de Aluminae, temos encontros, quando temos investidores que estão interessados colocamos todos em contacto. Estamos sempre a trabalhar a comunidade da melhor forma e também muitas vezes vêm ter connosco, sabem que têm sempre uma porta aberta. E continuam a recorrer a nós quando necessitam de uma opinião, isso faz parte do nosso trabalho “estar aqui para ajudá-los”.

O empreendedorismo é solitário, nós quando temos uma empresa ou temos fé em Deus e olhamos para cima e esperamos uma decisão sobre o que vamos fazer em termos de tesouraria, ou como é que vamos agora dizer aquelas duas pessoas que já não podem trabalhar mais connosco a quem nós vendemos um sonho e eles deixaram tudo para vir trabalhar connosco. Enfim, há um conjunto infindável de situações e por isso é que não é para todos. Quando escrevi um livro e editei-o em Janeiro deste ano, a ideia foi mostrar o outro lado do empreendedorismo. Eu tive pessoas que me disseram, olha eu até estava a pensar em ser empreendedor mas esquece. E por isso valeu ler o livro. E eu acho que isso é importante.

Muitas vezes ao falar com founders eu peço para me definirem: O que é o sucesso e o que  estão a tentar alcançar e em segundo perceber, qual a razão pela qual eles estão a criar a empresa; alguns dizem que é porque querem viajar, porque querem estabilidade financeira, porque não querem trabalhar para outros, porque querem liberdade e nós explicamos, vocês acabaram de descrever Corporate Life.

E por isso não promovemos esta ideia de que startups são cool e fantásticas e que a vida corporate é cinzenta e horrorosa, mas são duas opções, ambas trazem benefícios e nós estamos sempre a olhar para o outro lado e a pensar que o outro é que é melhor. Ontem eu estava a falar com eles e era exatamente sobre isso. Nós estamos numa startup e estamos a olhar para o Corporate Life e é uma sorte e vice-versa quem está no Corporate olha e diz estes gajos têm os horários que querem, têm a flexibilidade toda, andam vestidos de forma diferente, chegam atrasados. Não, os profissionais não chegam atrasados, obviamente ninguém vai pedir dinheiro a um investidor de calções, por isso há um exagero.

 

 

As Startups com quem eu falo dizem sempre que depois do programa se sentem mais preparados para falar com os investidores.

Sim, o programa de aceleração é do produto, mas claro que é para as pessoas. Por isso o que nós tentamos fazer nos últimos 20 anos e aprendi, tento colocar tudo isso em 3 meses, com zero bullshit, nós aqui somos muito frontais, não para desencorajar, mas para não perderem tempo, para focar e também para terem o mesmo comportamento com outras pessoas, para não serem iludidos. Na segunda ou terceira reunião perceberem se há mesmo interesse da parte do investidor para perceberem se é uma perda de tempo ou não, perceber desde cedo se há uma possibilidade para criar um piloto ou um protótipo na empresa ou não.

Da mesma forma que perguntam: “- Que tal?” e eles “sim sim isso é interessante” e vão acontecendo reuniões. O importante é que se precisamos do dinheiro em Dezembro sermos transparentes e dizer se estão mesmo interessados em investir em nós vamos conversar, vamos falar, traçar um plano sobre o que nós precisamos de vocês, o que vocês precisam de nós, para isto ser e estar feito. E este tipo de abordagem dá abertura para do outro lado dizerem, bem se calhar isto não é bem para nós e aí descartamos aquela hipótese e vamos em frente.

 

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  Fotografia Lais Pereira

 

 

Qual é o momento de maturidade de um projeto para se candidatarem ao Lisbon Challenge?

Isso é difícil e estamos sempre a tentar defini-lo. É aquele momento em que já existe um produto e que o produto já está lançado. Porque o que nós estamos à procura é de quem tem capacidade de executar, por isso, se vêm com a ideia, se vêm com um produto que está quase acabado, nós não sabemos se têm a capacidade de acabar. Porque, por exemplo, podem ser pessoas que estão sempre a trabalhar no perfeito. Oproduto não precisa de ter muitos clientes, mas tem de demonstrar, o produto até pode não ser grande coisa, mas pelo menos tem a capacidade de atirar para o mercado e ver se dá e podemos trabalhar esse produto. Nós estamos à procura de um perfil de empreendedores que estejam unidos e que tenham capacidade de sobreviver ao que vão enfrentar que é provavelmente uma das coisas mais difíceis da vida deles. Por isso, é que é contínuo. Porque isso é outro mito, que se tem de puxar um ano ou dois e depois é sempre a subir, mas não. Temos de ter capacidade de aceitar que vai ser sempre assim, a subir e a descer.

Fui almoçar com uma amiga da altura da universidade que já não via há 20 anos e quando nós explicamos numa hora e meia os últimos 20 anos, nós percebemos que é sempre assim. São períodos de altos e baixos. Nunca é uma coisa de dizermos, olha houve um período de 5 anos que foi sempre impecável, não. Mesmo num período de 1 ano a conversa é: estava no topo, depois estava cá em baixo, estava no topo depois estava cá em baixo e verificamos sempre a mesma coisa, quando estamos cá em baixo subimos sempre. Por isso quando estamos cá em baixo é preciso ter coragem, para lutar eacontecerá. Mas quando nós percebemos isto, preparamo-nos. Quando estamos lá em cima temos que preparar a empresa também para a queda. É importante ser clean, não termos custos que depois não conseguimos suportar, etc.

Por isso quando começamos a explicar desta forma aos empreendedores começa a haver uma certa lógica por trás, que não é só o que nos passaram. É preciso não gastar muito e ter uma elasticidade financeira para estes períodos, para os períodos de queda . Na tecnologia estamos sempre a tentar angariar clientes e a retê-los, mas é uma luta dura e quanto mais queremos uma subida exponencial, maior será a queda e maior o risco , porque não estamos a criar uma base e um utilizador está lá um dia e no outro dia já não está.

 

 

Uma dica para quem está a pensar candidatar-se ao Lisbon Challenge?

Primeiro é ser intelectualmente honesto consigo próprio, e perceber se tem um produto, se não tem um produto, se está pronto. Interagir connosco antes. É muito mais fácil entrar num programa de aceleração quando as pessoas são recomendadas ou nos conhecem. Na Beta-i é facílimo, todas as sextas-feiras temos aqui o Thanks God is Friday onde as pessoas podem vir e beber cerveja e falarem connosco, com toda a gente da equipa e por isso penso que as Startups fazem pouco isso;mas da mesma maneira que dizemos às pessoas que estão à procura de emprego, em vez de estarem a mandar 10.000 currículos e fazer o jogo dos números, é focar onde nós queremos e depois investir tempo em conhecer as pessoas, conversar com as pessoas, perceber o que estão a procurar do lado de lá, ter a honestidade de olhar e perceber que ainda não se está pronto, para perguntar sobre o que é que preciso fazer.

O próximo programa arranca em Setembro e vai ser ainda mais exigente e um bocadinho diferente também, por isso se começarem já a trabalhar connosco e se mostrarem obviamente que será  uma das formas mais fáceis de entrar no programa.

 

 

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 Fotografia Lais Pereira

 

 

Uma dica para quem está a concurso e tão próximo do Demo Day?

Para nós o Demo Day não tem essa relevância, na atual edição. Porque nós mudamos um bocadinho esse foco. Da mesma forma que nesta edição pedimos às Startups que tivessem os seus objetivos de grosso modo bem traçados, nós também quisemos fazer o mesmo. Nós colocamos como nosso objetivo que todas as Startups estivessem investidas antes do Demo Day. Nunca tinha acontecido!

Normalmente era no Demo Day a sua apresentação. Neste programa decidimos colocar as Startups em contacto com os investidores desde o início, para irem criando uma relação com os investidores e na realidade temos já 2 equipas com promessa de investimento e ainda não chegamos ao Demo Day. Uma outra que entrou no Ycombinator em Janeiro e outros 2 que estão em conversas. Isso para mim, é a validação que esta estratégia funciona. Vão ter Demo Day, mas o Demo Day é mais uma validação, é quase um último dia em que eles apresentam, mas onde já conhecem os investidores. Não queremos que seja abordado como um espetáculo.

Ainda por cima o Demo-Day para nós é fechado, vêm investidores, não vem imprensa, não vêm amigos, são aquelas pessoas. Não vamos fazer espetáculo, já fizemos espetáculo no passado, mas este ano, nesta edição decidimos fazer uma coisa fechada e quando nós temos esta premissa founder-centered, há um conjunto de coisas que nós não podemos fazer para o bem do programa de aceleração, para o bem da Beta-i, e não para os founders. Desde o início nesta edição que não fazemos uma festa de abertura, que não estamos a anunciar, também paramos de escrever e anunciar quais eram as startups sortudas e por isso é um mindshift em termos de confiança, é tão importante nós escolhermos as startups, como as startups nos escolherem a nós. Em todos os contactos que tivemos nos mostramos em pé de igualdade,; para nós também é importante convencermos as startups a virem ao Lisbon Challenge. Dois deles estiveram quase para não participar.

 

 

Quais são as Apps de referência do Lisbon Challenge?

São várias e de formas diferentes. Temos a Moneytis que é uma equipa e que desde o início demostraram que são novos, são vários, uma equipa maior do que as outras mas altamente focada, depois têm aquela chiquinesse, que se esticam um bocadinho mas nós achamos piada. No dia-a-dia conseguiram ir ao Y combinator e isso não surpreende, porque temos visto o trabalho que eles têm feito aqui.

A Heptasense tem uma tecnologia fantástica, são focados e estão a entrar num mercado difícil.

A Housy, que quando mostram o seu produto, não se destacam, mas quando começam a falar com as fundadoras sobre ele, ficamos logo apaixonados.

Youdside que se sentem muito bem aqui e que querem ser uma empresa sustentável e percebem que este é o sítio certo e nós ajudamos a criar.

Wit que são dois, e que parece que se conhecem desde os 5 anos, mas só se conhecem há 4 meses com uma sincronia e que funcionam perfeitamente

Grande parte das equipas aqui têm potencial, mas a execução e a qualidade do produto é que vão ditar o sucesso. Um deles conseguiu o financiamento no Web Summit. Por isso se temos o foco, o produto e vamos atrás normalmente os resultados vêm. Nós nunca sabemos é quando e nunca é dentro dos nossos timings, se nós acho que vamos fechar isto em duas semanas ou três, vemos duplicar ou triplicar o tempo, mas depois de termos chegado lá, passado um ano ou dois, pensamos, é pá, afinal até foi rápido, por isso as expectativas muitas vezes estão mal dimensionadas, mas está mais nas mãos deles em execução do que no resto. Agora é ver se eles estão dispostos a executar e a acreditar que mais tarde ou mais cedo vai dar.

 

 

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 Fotografia Lais Pereira

À conversa com #6: Nuno Machado Lopes sobre o Lisbon Challenge (2ª Parte)

As dúvidas sociais sobre o modelo de empreendedorismo que se está a criar, são para todos. Já as oportunidades que estão a ser dadas, não. A percepção do foco e a dimensão de um problema, com futuro. A Geração Startup também tem fillhos e questiona-se como criar a alteração sustentável nesta nova equação.

 

 

161124_appsparaquetequero_c_lais_pereira (23).jpgFotografia Lais Pereira

 

 

E socialmente o que é que significa para o Nuno? Na altura da escolha da candidatura, estão a escolher um negócio, ou estão também preocupados se aquele projeto é bom para a sociedade no caso de vingar?

O que nós estamos sempre a analisar são negócios, por isso o que nós analisamos mais são as pessoas, uma má ideia bem executada tem uma maior probabilidade de sucesso do que uma excelente ideia mal executada. Isso é o que acontece muitas vezes. Até são boas ideias, mas são mal executadas. As pessoas ou não deviam ser empreendedoras ou então não têm capacidade, não têm disponibilidade, seja o que for. Depois há a sorte, há timings… se entramos muito cedo, corremos o risco de passarmos completamente ao lado e estamos no início a educar o mercado e depois alguém entra e cria uma empresa em cima disso. Outras vezes entramos tarde demais e já passou. Por isso a execução é fundamental.

Acima de tudo nós olhamos principalmente para as pessoas e depois tentamos compreender a ideia e hoje em dia há uma pressão enorme para encontrar ideias novas, oportunidades, problemas, quando na realidade no nosso dia-a-dia o que não faltam são oportunidades e problemas que existem e precisam ser resolvidos. Não estamos a reinventar nada, mas também não é preciso.

É preciso olhar para uma oportunidade suficientemente grande ou para um mercado que seja suficientemente grande para depois a avançar.

Para quem me conhece sabe que eu estou sempre a falar nisto das PMEs. Como é que nós conseguimos aplicar? E o que nós estamos a tentar perceber é: “Como é que nós conseguimos ir buscar o melhor destes programas de aceleração e aplica-los às PMEs?” Para todos os efeitos estamos a falar de fundadores que sobreviveram os últimos 6 anos de crise, por isso não há maior validação de pessoas determinadas, estas pessoas já passaram por tudo e continuam juntas. Por isso é seguro dizer que aquelas pessoas andando para a frente com um bocadinho mais de sucesso vão ser as pessoas certas. Os produtos também já estão no mercado e muitas vezes conseguimos acelerá-los, melhora-los e por isso penso que há uma ajuda que podemos dar.

 

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Fotografia Lais Pereira

 

 

Uma startup por definição é uma empresa no seu início, mas não é uma ideia de um grupo de amigos que só vai vingar se houver um investidor. Vai chegar a um ponto em que as empresas já têm corpo para operar. Silicon Valley adotou isso para os investidores. São empresas na área de tecnologia que estão prontas para expandir exponencialmente. Por isso é mais do interesse dos investidores e para os poucos que conseguem vingar e jogar até chegar a um ponto de as empresas serem avaliadas em milhões ou até em biliões.

No entanto há muita confusão e isso é problemático para nós, porque na nossa economia só falamos sobre startups. Eu sou um empreendedor e tenho negócios na restauração, sinto-me um bocadinho indiferente a isso, mas sinto que para alguém que esteja puramente na restauração deve estar a pensar “mas o que é que se passa aqui? Nós damos emprego, nós pagamos impostos, e ninguém fala de nós, estamos a ser ignorados.”

 

 

Mas nas empresas de Tecnologia também, porque vêem as Startups com uma projeção que as empresas que existem há mais anos nunca tiveram, nem têm.

O empreendedorismo passou a ser Startups.

As PMEs são 96% das empresas em Portugal por isso, penso que estamos a perder uma oportunidade de integrar e de aprender, de contaminar o verdadeiro empreendedorismo todo, quando narealidade as Startups têm uma percentagem muito, muito pequena (1 a 2%).

 

 

E existe uma preocupação com tudo o que está a ser enviado para o mercado como solução? Este é um tema que realmente me interessa.

Eu estive na Alemanha a fazer uma apresentação numa das melhores empresas de automóveis, estavam lá investidores, venture capitalists, todos a fazerem apresentações e a mim pediram-me para ir porque viram uma apresentação minha em que falo sobre o desafio do desemprego nos jovens, no facto de a tecnologia destruir emprego, não cria emprego contrariamente ao que ouvimos dizer. Que estamos há algum tempo com este problema enorme que é o hedge gap, menos de 1% do total são pessoas que têm demasiado dinheiro e demasiada importância.

Eu fiz a apresentação e fiquei um bocadinho preocupado, porque enquanto nas outras apresentações eram colocadas questões e havia muita interação, até porque era uma apresentação em workgroup, durante  a minha apresentação ficaram calados e depois no fim ninguém colocou nenhuma pergunta e eu pensei, “bem isto foi completamente ao lado”. Ficámos lá e tínhamos um jantar e um a um, cada uma das pessoas do grupo veio falar comigo quase que em privado a dizer que nunca tinham ouvido uma apresentação deste tipo e tinham ficado tocados. Na realidade muitos partilham isso e como pais, e como pai de 3 filhas isso também me preocupa.

Sim, acho que devíamos estar à procura de meaning, mas na verdade não o fazemos porque há uma pressão enorme para um retorno e nunca ninguém foi falar com um investidor dizendo-lhe que a ideia podia não fazer dinheiro, mas que teria um grande valor social.

Isso não quer dizer que num futuro muito próximo não comecem a surgir com projetos, no entanto  não podemos ser naives, não podemos criar um projeto só de natureza social, nós temos de levar a sociedade a criar projetos que façam sentido, em que as pessoas ganhem dinheiro (porque é preciso) mas também não demasiado dinheiro. Quando falamos com um capital investidor nós perguntamos: “Quando é que é too much?” 1 Bilião? Porque é que eu tenho de ser bilionário? Não faz sentido absolutamente nenhum e muito menos estar a promover isso.

A verdade é que nós tentamos incutir nos founders que eles sejam boas pessoas e bons profissionais e por isso explicar-lhes, fazer esta conversa que é diferente, que é disruptiva tem um custo associado.

Não devemos celebrar o fracasso. Uma coisa é aprendermos, e não se aprende só com o fracasso. Mas esta tendência agora, de conferencias de failures, em que as pessoas vão lá e falam que falharam completamente e que perderam … estando a minimizar completamente o impacto que isso teve. Quantos fornecedores é que deixaram de receber? Quantas pessoas foram para a rua? Quantas ficaram com a vida destruída? Por isso acho que devemos promover uma conversa um bocadinho mais saudável e isso já está a acontecer. Já existem muitas pessoas a dizer “não”, que basta e nós temos que caminhar para isso, temos de caminhar para uma coisa mais construída, mais responsável porque é o que vai ter sucesso no futuro.

 

 

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 Fotografia Lais Pereira

 

 

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