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StartApps

Um blog de Teresa Noronha sobre Startups, Apps e empreendedorismo em português.

À Conversa com #6: Nuno Machado Lopes sobre o Lisbon Challenge (3ª Parte)

O Lisbon Challenge. Qual o momento certo para uma candidatura. O que se pode esperar do programa. O Demo Day. Algumas Apps da edição que se encontram a decorrer. Algumas boas notícias sobre o que já alcançaram. A mim cabe-me o mais fácil, desejar sucesso, às Startups e ao programa. Até Já!

 

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 Fotografia Lais Pereira

 

Como é que mantêm a comunidade de Startups que participaram nas edições anteriores?

Temos um Aluminae, temos pessoas encarregues de manter a comunidade de Aluminae, temos encontros, quando temos investidores que estão interessados colocamos todos em contacto. Estamos sempre a trabalhar a comunidade da melhor forma e também muitas vezes vêm ter connosco, sabem que têm sempre uma porta aberta. E continuam a recorrer a nós quando necessitam de uma opinião, isso faz parte do nosso trabalho “estar aqui para ajudá-los”.

O empreendedorismo é solitário, nós quando temos uma empresa ou temos fé em Deus e olhamos para cima e esperamos uma decisão sobre o que vamos fazer em termos de tesouraria, ou como é que vamos agora dizer aquelas duas pessoas que já não podem trabalhar mais connosco a quem nós vendemos um sonho e eles deixaram tudo para vir trabalhar connosco. Enfim, há um conjunto infindável de situações e por isso é que não é para todos. Quando escrevi um livro e editei-o em Janeiro deste ano, a ideia foi mostrar o outro lado do empreendedorismo. Eu tive pessoas que me disseram, olha eu até estava a pensar em ser empreendedor mas esquece. E por isso valeu ler o livro. E eu acho que isso é importante.

Muitas vezes ao falar com founders eu peço para me definirem: O que é o sucesso e o que  estão a tentar alcançar e em segundo perceber, qual a razão pela qual eles estão a criar a empresa; alguns dizem que é porque querem viajar, porque querem estabilidade financeira, porque não querem trabalhar para outros, porque querem liberdade e nós explicamos, vocês acabaram de descrever Corporate Life.

E por isso não promovemos esta ideia de que startups são cool e fantásticas e que a vida corporate é cinzenta e horrorosa, mas são duas opções, ambas trazem benefícios e nós estamos sempre a olhar para o outro lado e a pensar que o outro é que é melhor. Ontem eu estava a falar com eles e era exatamente sobre isso. Nós estamos numa startup e estamos a olhar para o Corporate Life e é uma sorte e vice-versa quem está no Corporate olha e diz estes gajos têm os horários que querem, têm a flexibilidade toda, andam vestidos de forma diferente, chegam atrasados. Não, os profissionais não chegam atrasados, obviamente ninguém vai pedir dinheiro a um investidor de calções, por isso há um exagero.

 

 

As Startups com quem eu falo dizem sempre que depois do programa se sentem mais preparados para falar com os investidores.

Sim, o programa de aceleração é do produto, mas claro que é para as pessoas. Por isso o que nós tentamos fazer nos últimos 20 anos e aprendi, tento colocar tudo isso em 3 meses, com zero bullshit, nós aqui somos muito frontais, não para desencorajar, mas para não perderem tempo, para focar e também para terem o mesmo comportamento com outras pessoas, para não serem iludidos. Na segunda ou terceira reunião perceberem se há mesmo interesse da parte do investidor para perceberem se é uma perda de tempo ou não, perceber desde cedo se há uma possibilidade para criar um piloto ou um protótipo na empresa ou não.

Da mesma forma que perguntam: “- Que tal?” e eles “sim sim isso é interessante” e vão acontecendo reuniões. O importante é que se precisamos do dinheiro em Dezembro sermos transparentes e dizer se estão mesmo interessados em investir em nós vamos conversar, vamos falar, traçar um plano sobre o que nós precisamos de vocês, o que vocês precisam de nós, para isto ser e estar feito. E este tipo de abordagem dá abertura para do outro lado dizerem, bem se calhar isto não é bem para nós e aí descartamos aquela hipótese e vamos em frente.

 

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  Fotografia Lais Pereira

 

 

Qual é o momento de maturidade de um projeto para se candidatarem ao Lisbon Challenge?

Isso é difícil e estamos sempre a tentar defini-lo. É aquele momento em que já existe um produto e que o produto já está lançado. Porque o que nós estamos à procura é de quem tem capacidade de executar, por isso, se vêm com a ideia, se vêm com um produto que está quase acabado, nós não sabemos se têm a capacidade de acabar. Porque, por exemplo, podem ser pessoas que estão sempre a trabalhar no perfeito. Oproduto não precisa de ter muitos clientes, mas tem de demonstrar, o produto até pode não ser grande coisa, mas pelo menos tem a capacidade de atirar para o mercado e ver se dá e podemos trabalhar esse produto. Nós estamos à procura de um perfil de empreendedores que estejam unidos e que tenham capacidade de sobreviver ao que vão enfrentar que é provavelmente uma das coisas mais difíceis da vida deles. Por isso, é que é contínuo. Porque isso é outro mito, que se tem de puxar um ano ou dois e depois é sempre a subir, mas não. Temos de ter capacidade de aceitar que vai ser sempre assim, a subir e a descer.

Fui almoçar com uma amiga da altura da universidade que já não via há 20 anos e quando nós explicamos numa hora e meia os últimos 20 anos, nós percebemos que é sempre assim. São períodos de altos e baixos. Nunca é uma coisa de dizermos, olha houve um período de 5 anos que foi sempre impecável, não. Mesmo num período de 1 ano a conversa é: estava no topo, depois estava cá em baixo, estava no topo depois estava cá em baixo e verificamos sempre a mesma coisa, quando estamos cá em baixo subimos sempre. Por isso quando estamos cá em baixo é preciso ter coragem, para lutar eacontecerá. Mas quando nós percebemos isto, preparamo-nos. Quando estamos lá em cima temos que preparar a empresa também para a queda. É importante ser clean, não termos custos que depois não conseguimos suportar, etc.

Por isso quando começamos a explicar desta forma aos empreendedores começa a haver uma certa lógica por trás, que não é só o que nos passaram. É preciso não gastar muito e ter uma elasticidade financeira para estes períodos, para os períodos de queda . Na tecnologia estamos sempre a tentar angariar clientes e a retê-los, mas é uma luta dura e quanto mais queremos uma subida exponencial, maior será a queda e maior o risco , porque não estamos a criar uma base e um utilizador está lá um dia e no outro dia já não está.

 

 

Uma dica para quem está a pensar candidatar-se ao Lisbon Challenge?

Primeiro é ser intelectualmente honesto consigo próprio, e perceber se tem um produto, se não tem um produto, se está pronto. Interagir connosco antes. É muito mais fácil entrar num programa de aceleração quando as pessoas são recomendadas ou nos conhecem. Na Beta-i é facílimo, todas as sextas-feiras temos aqui o Thanks God is Friday onde as pessoas podem vir e beber cerveja e falarem connosco, com toda a gente da equipa e por isso penso que as Startups fazem pouco isso;mas da mesma maneira que dizemos às pessoas que estão à procura de emprego, em vez de estarem a mandar 10.000 currículos e fazer o jogo dos números, é focar onde nós queremos e depois investir tempo em conhecer as pessoas, conversar com as pessoas, perceber o que estão a procurar do lado de lá, ter a honestidade de olhar e perceber que ainda não se está pronto, para perguntar sobre o que é que preciso fazer.

O próximo programa arranca em Setembro e vai ser ainda mais exigente e um bocadinho diferente também, por isso se começarem já a trabalhar connosco e se mostrarem obviamente que será  uma das formas mais fáceis de entrar no programa.

 

 

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 Fotografia Lais Pereira

 

 

Uma dica para quem está a concurso e tão próximo do Demo Day?

Para nós o Demo Day não tem essa relevância, na atual edição. Porque nós mudamos um bocadinho esse foco. Da mesma forma que nesta edição pedimos às Startups que tivessem os seus objetivos de grosso modo bem traçados, nós também quisemos fazer o mesmo. Nós colocamos como nosso objetivo que todas as Startups estivessem investidas antes do Demo Day. Nunca tinha acontecido!

Normalmente era no Demo Day a sua apresentação. Neste programa decidimos colocar as Startups em contacto com os investidores desde o início, para irem criando uma relação com os investidores e na realidade temos já 2 equipas com promessa de investimento e ainda não chegamos ao Demo Day. Uma outra que entrou no Ycombinator em Janeiro e outros 2 que estão em conversas. Isso para mim, é a validação que esta estratégia funciona. Vão ter Demo Day, mas o Demo Day é mais uma validação, é quase um último dia em que eles apresentam, mas onde já conhecem os investidores. Não queremos que seja abordado como um espetáculo.

Ainda por cima o Demo-Day para nós é fechado, vêm investidores, não vem imprensa, não vêm amigos, são aquelas pessoas. Não vamos fazer espetáculo, já fizemos espetáculo no passado, mas este ano, nesta edição decidimos fazer uma coisa fechada e quando nós temos esta premissa founder-centered, há um conjunto de coisas que nós não podemos fazer para o bem do programa de aceleração, para o bem da Beta-i, e não para os founders. Desde o início nesta edição que não fazemos uma festa de abertura, que não estamos a anunciar, também paramos de escrever e anunciar quais eram as startups sortudas e por isso é um mindshift em termos de confiança, é tão importante nós escolhermos as startups, como as startups nos escolherem a nós. Em todos os contactos que tivemos nos mostramos em pé de igualdade,; para nós também é importante convencermos as startups a virem ao Lisbon Challenge. Dois deles estiveram quase para não participar.

 

 

Quais são as Apps de referência do Lisbon Challenge?

São várias e de formas diferentes. Temos a Moneytis que é uma equipa e que desde o início demostraram que são novos, são vários, uma equipa maior do que as outras mas altamente focada, depois têm aquela chiquinesse, que se esticam um bocadinho mas nós achamos piada. No dia-a-dia conseguiram ir ao Y combinator e isso não surpreende, porque temos visto o trabalho que eles têm feito aqui.

A Heptasense tem uma tecnologia fantástica, são focados e estão a entrar num mercado difícil.

A Housy, que quando mostram o seu produto, não se destacam, mas quando começam a falar com as fundadoras sobre ele, ficamos logo apaixonados.

Youdside que se sentem muito bem aqui e que querem ser uma empresa sustentável e percebem que este é o sítio certo e nós ajudamos a criar.

Wit que são dois, e que parece que se conhecem desde os 5 anos, mas só se conhecem há 4 meses com uma sincronia e que funcionam perfeitamente

Grande parte das equipas aqui têm potencial, mas a execução e a qualidade do produto é que vão ditar o sucesso. Um deles conseguiu o financiamento no Web Summit. Por isso se temos o foco, o produto e vamos atrás normalmente os resultados vêm. Nós nunca sabemos é quando e nunca é dentro dos nossos timings, se nós acho que vamos fechar isto em duas semanas ou três, vemos duplicar ou triplicar o tempo, mas depois de termos chegado lá, passado um ano ou dois, pensamos, é pá, afinal até foi rápido, por isso as expectativas muitas vezes estão mal dimensionadas, mas está mais nas mãos deles em execução do que no resto. Agora é ver se eles estão dispostos a executar e a acreditar que mais tarde ou mais cedo vai dar.

 

 

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 Fotografia Lais Pereira

À conversa com #6: Nuno Machado Lopes sobre o Lisbon Challenge (2ª Parte)

As dúvidas sociais sobre o modelo de empreendedorismo que se está a criar, são para todos. Já as oportunidades que estão a ser dadas, não. A percepção do foco e a dimensão de um problema, com futuro. A Geração Startup também tem fillhos e questiona-se como criar a alteração sustentável nesta nova equação.

 

 

161124_appsparaquetequero_c_lais_pereira (23).jpgFotografia Lais Pereira

 

 

E socialmente o que é que significa para o Nuno? Na altura da escolha da candidatura, estão a escolher um negócio, ou estão também preocupados se aquele projeto é bom para a sociedade no caso de vingar?

O que nós estamos sempre a analisar são negócios, por isso o que nós analisamos mais são as pessoas, uma má ideia bem executada tem uma maior probabilidade de sucesso do que uma excelente ideia mal executada. Isso é o que acontece muitas vezes. Até são boas ideias, mas são mal executadas. As pessoas ou não deviam ser empreendedoras ou então não têm capacidade, não têm disponibilidade, seja o que for. Depois há a sorte, há timings… se entramos muito cedo, corremos o risco de passarmos completamente ao lado e estamos no início a educar o mercado e depois alguém entra e cria uma empresa em cima disso. Outras vezes entramos tarde demais e já passou. Por isso a execução é fundamental.

Acima de tudo nós olhamos principalmente para as pessoas e depois tentamos compreender a ideia e hoje em dia há uma pressão enorme para encontrar ideias novas, oportunidades, problemas, quando na realidade no nosso dia-a-dia o que não faltam são oportunidades e problemas que existem e precisam ser resolvidos. Não estamos a reinventar nada, mas também não é preciso.

É preciso olhar para uma oportunidade suficientemente grande ou para um mercado que seja suficientemente grande para depois a avançar.

Para quem me conhece sabe que eu estou sempre a falar nisto das PMEs. Como é que nós conseguimos aplicar? E o que nós estamos a tentar perceber é: “Como é que nós conseguimos ir buscar o melhor destes programas de aceleração e aplica-los às PMEs?” Para todos os efeitos estamos a falar de fundadores que sobreviveram os últimos 6 anos de crise, por isso não há maior validação de pessoas determinadas, estas pessoas já passaram por tudo e continuam juntas. Por isso é seguro dizer que aquelas pessoas andando para a frente com um bocadinho mais de sucesso vão ser as pessoas certas. Os produtos também já estão no mercado e muitas vezes conseguimos acelerá-los, melhora-los e por isso penso que há uma ajuda que podemos dar.

 

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Fotografia Lais Pereira

 

 

Uma startup por definição é uma empresa no seu início, mas não é uma ideia de um grupo de amigos que só vai vingar se houver um investidor. Vai chegar a um ponto em que as empresas já têm corpo para operar. Silicon Valley adotou isso para os investidores. São empresas na área de tecnologia que estão prontas para expandir exponencialmente. Por isso é mais do interesse dos investidores e para os poucos que conseguem vingar e jogar até chegar a um ponto de as empresas serem avaliadas em milhões ou até em biliões.

No entanto há muita confusão e isso é problemático para nós, porque na nossa economia só falamos sobre startups. Eu sou um empreendedor e tenho negócios na restauração, sinto-me um bocadinho indiferente a isso, mas sinto que para alguém que esteja puramente na restauração deve estar a pensar “mas o que é que se passa aqui? Nós damos emprego, nós pagamos impostos, e ninguém fala de nós, estamos a ser ignorados.”

 

 

Mas nas empresas de Tecnologia também, porque vêem as Startups com uma projeção que as empresas que existem há mais anos nunca tiveram, nem têm.

O empreendedorismo passou a ser Startups.

As PMEs são 96% das empresas em Portugal por isso, penso que estamos a perder uma oportunidade de integrar e de aprender, de contaminar o verdadeiro empreendedorismo todo, quando narealidade as Startups têm uma percentagem muito, muito pequena (1 a 2%).

 

 

E existe uma preocupação com tudo o que está a ser enviado para o mercado como solução? Este é um tema que realmente me interessa.

Eu estive na Alemanha a fazer uma apresentação numa das melhores empresas de automóveis, estavam lá investidores, venture capitalists, todos a fazerem apresentações e a mim pediram-me para ir porque viram uma apresentação minha em que falo sobre o desafio do desemprego nos jovens, no facto de a tecnologia destruir emprego, não cria emprego contrariamente ao que ouvimos dizer. Que estamos há algum tempo com este problema enorme que é o hedge gap, menos de 1% do total são pessoas que têm demasiado dinheiro e demasiada importância.

Eu fiz a apresentação e fiquei um bocadinho preocupado, porque enquanto nas outras apresentações eram colocadas questões e havia muita interação, até porque era uma apresentação em workgroup, durante  a minha apresentação ficaram calados e depois no fim ninguém colocou nenhuma pergunta e eu pensei, “bem isto foi completamente ao lado”. Ficámos lá e tínhamos um jantar e um a um, cada uma das pessoas do grupo veio falar comigo quase que em privado a dizer que nunca tinham ouvido uma apresentação deste tipo e tinham ficado tocados. Na realidade muitos partilham isso e como pais, e como pai de 3 filhas isso também me preocupa.

Sim, acho que devíamos estar à procura de meaning, mas na verdade não o fazemos porque há uma pressão enorme para um retorno e nunca ninguém foi falar com um investidor dizendo-lhe que a ideia podia não fazer dinheiro, mas que teria um grande valor social.

Isso não quer dizer que num futuro muito próximo não comecem a surgir com projetos, no entanto  não podemos ser naives, não podemos criar um projeto só de natureza social, nós temos de levar a sociedade a criar projetos que façam sentido, em que as pessoas ganhem dinheiro (porque é preciso) mas também não demasiado dinheiro. Quando falamos com um capital investidor nós perguntamos: “Quando é que é too much?” 1 Bilião? Porque é que eu tenho de ser bilionário? Não faz sentido absolutamente nenhum e muito menos estar a promover isso.

A verdade é que nós tentamos incutir nos founders que eles sejam boas pessoas e bons profissionais e por isso explicar-lhes, fazer esta conversa que é diferente, que é disruptiva tem um custo associado.

Não devemos celebrar o fracasso. Uma coisa é aprendermos, e não se aprende só com o fracasso. Mas esta tendência agora, de conferencias de failures, em que as pessoas vão lá e falam que falharam completamente e que perderam … estando a minimizar completamente o impacto que isso teve. Quantos fornecedores é que deixaram de receber? Quantas pessoas foram para a rua? Quantas ficaram com a vida destruída? Por isso acho que devemos promover uma conversa um bocadinho mais saudável e isso já está a acontecer. Já existem muitas pessoas a dizer “não”, que basta e nós temos que caminhar para isso, temos de caminhar para uma coisa mais construída, mais responsável porque é o que vai ter sucesso no futuro.

 

 

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 Fotografia Lais Pereira

 

 

À conversa com #6: Nuno Machado Lopes sobre o Lisbon Challenge (1ª Parte)

Leva as Startups muito a sério. Lembra permanentemente que tudo depende da execução. Acredita que este mundo do empreendedorismo nem é cor-de-rosa, nem é para todos. Tem os pés bem assentes na terra. Gosta das PMEs. Preocupa-se com o tecido empresarial, a falta de emprego no futuro e o hedge Gap. Diz muitos estrangeirismos. Gosta de tornar os founders conscientes do processo que têm em mãos. Não comemora insucessos. Nuno Machado Lopes é o Managing Director do Lisbon Challenge.

  

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 Fotografia Lais Pereira

 

 

Nuno, porque é que o Lisbon Challenge é um programa de aceleração de excelência?

Primeiro, devido ao perfil das pessoas que estão à frente. Eu sou empreendedor já há duas décadas e a Isabel Salgueiro que está à frente do programa tem uma vasta experiência com startups, por isso nós trazemos este misto de Silicon Valley com neorrealismo que tem a ver não só com o criar empresas neste meio, que muitas vezes têm um foco no investimento, mas também para empreendedores que queiram criar empresas sustentáveis e não queiram seguir o caminho do investimento.

Acontece que às vezes a meio do programa começamos a perceber que existem uma ou duas pessoas que querem criar uma empresa sustentável, que o investimento não é necessariamente uma prioridade ou necessidade.

Depois quando redesenhámos o programa deste ano, olhámos para vários fatores e um deles é o porquê de tantas startups falharem e verificamos que havia várias razões. Uma dessas  grandes razões era a falta de alinhamento entre os founders, e por isso introduzimos no programa uma parte mais de social skills, soft skills e de trabalhar o lado mais pessoal.

Ter conversas com eles que não é normal ter, aprofundar muito mais a relação. E por isso estruturamos o programa à volta de algumas bases e essa é uma delas. Trabalhamos intensamente com os founders. Este é um programa com um formato, está organizado de uma certa forma, mas ao mesmo tempo tem uma enorme flexibilidade porque as startups começam a evoluir e estão em fases diferentes e por isso é importante podermos trabalhar com elas one on one para lhes dar o maior suporte possível.

 

Lisbon_Challenge_2.jpgFotografia Lais Pereira

 

 

O que trás de novo esta edição que está a decorrer?

O que fizemos foi: desconstruir o programa e todas as peças e depois reconstruir começando logo com a premissa founders-centered, centrados no fundador e isso não é tanto uma coisa de marketing, mas mais uma regra interna para nós, para nos lembrarmos sempre que tomamos uma decisão, alteramos alguma coisa no programa questionar se traz valor acrescido para os founders.

Desta maneira , acabámos por reconstruir um programa mais clean, com menos pessoas envolvidas, mas mais intenso. Quisemos manter o foco  “como é que isto traz mais valor aos founders, e como é que conseguimos tirar o máximo de cada um?” Passa muito por manter as forcing functions, ou seja, manter as energias em alta e mante-los focados.

Para isso temos objetivos e pedimos-lhes que todas as segundas-feiras de manhã nos digam os objetivos da semana e às sextas-feiras estamos a analisar o trajeto. Isso obriga-os a pensar constantemente nestes 3 meses, em cada fase do programa. Queremos que percebam porque é que no dia-a-dia nós conseguimos evoluir ou ficamos estagnados, se não temos essa pressão todos entram no programa, em todos os programas com enorme energia, mas ao longo do tempo a energia vai desaparecendo. Sabemos que isso é um desafio  e por isso também nos ficamos nesse tema.

 

 

Como tem sido participar tão ativamente na geração do ecossistema de Startups em Portugal?

Eu não estou com a Beta-i desde o início, nem de perto, e por isso acompanhei do outro lado da barreira essa evolução. Na verdade, nestas coisas é sempre difícil esquecer os pioneiros, aquelas pessoas que quando não existe nada lutam por algo. Obviamente pesquisaram  internacionalmente e nós também nos mantemos atentos ao que se passa lá fora, a adaptar; mas nem sempre são áreas ou temas relevantes para nós nem para cá. . Eles tiveram essa visão e continuam a persegui-la. O que se passou no início da Beta-i é um pouco o que fazemos com os founders, eles explicam a sua ideia e nós temos de entender de que lado estão da ilusão, se estão completamente loucos, perderam a cabeça e estão a inventar a próxima coisa que nunca vai acontecer ou se na verdade há ali algo, se conseguiram ver uma tendência, se há ali uma oportunidade e como é que nós os podemos ajudar. Eu estou com a Beta-i, intensamente, só há 2 anos. Primeiro na área de marketing e depois passei para o Lisbon Challenge. Mas esta relação já vem de trás, há 3 ou 4 anos a fazer mentoring no Lisbon Challenge.

 

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Fotografia Lais Pereira 

 

(Este post tem continuação)

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